Esperando o padre
O padre Reginaldo Manzotti celebra missa agora às18h, na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico, em Curitiba. Agentes de trânsito devem fazer a orientação em quatro pontos de desvios e bloqueios na região.
Quem vem da Rua Deputado Mário de Barros não poderá entrar na Conselheiro Raul Viana. Outra interrupção no tráfego é na Rua Dep. Mário de Barros, com impedimento de conversão à esquerda para quem vem da Papa João XXIII, perto da Prefeitura.
Já na Mateus Leme, os dois sentidos não têm acesso, durante o desfile, à rua Professor Benedito Nicolau dos Santos, em frente ao Palácio Iguaçu. O motivo é um bloqueio no cruzamento com a rua Conselheiro Raul Viana.
Programação
O evento acontece em um homenagem ao Dia dos Pais, comemorado neste domingo (12). A programação em frente ao Palácio do Iguaçu começa com a oração de um Terço Mariano a partir das 15 horas, seguido por uma Adoração ao Santíssimo às 16 horas. A missa tem horário marcado para as 17 horas, com a realização de um show de evangelização, a partir das 18h30, feito pelo padre.
Antes de eu morrer
A New York Review os Books não vive só de resenhas de livros. A seção de classificados é muito apreciada. Aqui, um psicoterapeuta de 75 anos procura companheira para viajar pela Itália “before I push up the daisies”.
Ele avisa que a idade não importa. Coisa de intelectual.
Reflexão para tempos de democracia e enriquecimento ilícito: “Igualdade de oportunidades é bom, mas informação privilegiada é muito melhor!”
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Polícia digital

A polícia paranaense acaba de criar o Boletim de Ocorrência eletrônico, que vale para carro roubado, cartão de crédito furtado, identidade desaparecida, coisas assim.
No futuro, com o incremento da banda larga, poderão ser incluídos crimes mais sangrentos, como homicídio e latrocinio.
Nesse dia deve-se homenagear o doutor Helio Beltrão. Ex-ministro do Planejamento, hoje mais conhecido como pai da atriz Andrea Beltrão, ele é autor de frase definitiva sobre a doença burocrática que assola o país.
-No Brasil, o atestado de óbito vale mais do que a presença do cadáver.
Na última vez que roubaram meu carro – felizmente foram só duas vezes – tive o pequeno conforto de falar com um agente da lei.
Um microfone no meio do vidro de uma polegada separava as vítimas do roubo do encarregado de escrever o Boletim de Ocorrência na Delegacia de Furtos de Veículos.
-Fale bem alto! – berrou o agente. –Esse microfone está uma porcaria!
Falei bem alto. Revelei a marca do carro, o ano de fabricação, o local do crime e tentei descrever os dois bandidos, que estavam de gorro escuro.
-Um era meio loiro.
-E o outro era pardo – advinhou o agente.
Confirmei. Pardo. Loiro e pardo, como nas duplas de policiais das séries da Sony. Ele digitou
e deu os trâmites por findos.
-Assine aqui! – passou o Boletim pela frestinha de dois centímetros na parte inferior do vidro.
Assinei, ganhei um xerox para o seguro. Fui embora de taxi, lamentando a má idéia de parar na padaria da Padre Anchieta, mas feliz por ter falado com alguém.
Foi realmente consoladora informação de que eu era a oitava vítima daquela noite. Não é bom ficar sozinho numa hora dessas.
Nos próximos assaltos, só você e o computador. Não haverá alguém para informar que você é o oitavo, que o microfone está uma merda, que lá dentro há 150 presos onde cabem 50.
A solidão é o preço que a gente paga pelo avanço da comunicação digital.
Morreu o Grande Provocador
Gore Vidal foi embora e os Estados Unidos ficaram um pouco mais burros.
A burrice dos irmãos do Norte foi um dos temas favoritos dele, como grande provocador da América puritana.
Aqui, alguns pensamentos sem fronteiras.
Nunca perco uma oportunidade de fazer sexo ou de aparecer na televisão.
Não basta ter sucesso. Outros têm que fracassar.
Um narcisista é um cara mais bonito que você.
Qualquer americano que esteja preparado para disputar a Presidência deve ser declarado inelegível.
Democracia supostamente dá aquela sensação de liberdade de escolha, como quando você decide entre o Comprimido A ou Comprimido B. Só que os dois são aspirina.
A inveja é o fato central da vida americana.
Toda vez que um amigo faz sucesso eu morro um pouquinho.
Os Estados Unidos foram fundados pelo povo mais brilhante do mundo – e desde então nunca mais vimos esses caras.
A cada quatro anos, a metade ingênua que ainda vota é encorajada a acreditar que se nós pudermos eleger um cara ou uma mulher realmente legal para Presidente tudo estará resolvido.
Andy Warhol é o único gênio que conheci com 60 de QI.
Uma boa ação nunca fica impune.
Toda criança dá sustos em seus pais, no mínimo porque esperamos que sejam iguais à gente.
Aparentemente, democracia é um lugar onde são realizadas inúmeras eleições com alto custo, propostas ocas e candidatos intercambiáveis.
50% do povo não vai votar e 50% não lê jornais. Espero que sejam os mesmos 50%.
A genialidade da classe dominante consegue evitar que a maioria do povo questione a iniquidade de um sistema onde a maioria paga impostos indecentes sem receber nada em troca.
Ter estilo é saber quem você é, o que deve dizer e não se incomodar com isso.
Quanto mais um Americano acumula dinheiro, menos interessante ele fica.
As quatro palavras mais belas de nossa língua: eu não te disse?
O Congresso não pode mais declarar guerra nem fazer o orçamento público. É o fim da Constituição como um instrumento de governo.
Deviamos parar de sair por ai nos gabando de ser a maior democracia do mundo, quando não somos sequer uma democracia. Somos um tipo de república miltarizada.
Na medida em que a era da televisão avança o estilo Reagan será a regra, não a exceção. Ser perfeito para a TV é tudo que um Presidente deve ser hoje em dia.
Tai o sexo. Sexo não constrói estradas, não escreve romances e não dá sentido a nada na vida a não ser a ele mesmo.
Pense na terra como um organism vivo atacado por bilhões de bactérias, cujo número dobra a cada quatro anos. Ou o hospedeiro morre, ou as bactérias morrem, ou ambos morrem.
Não existe essa história de homosexual ou heterosexual. Existem atos homo ou heterossexuais. A maioria das pessoas é uma mistura desses impulsos. E das práticas.
Não existiria problema humano insolúvel se as pessoas simplesmente seguissem o meu conselho.
Cassaram mais um

Em doze anos Londrina cassou dois prefeitos, o Barbosa Neto e o Antonio Belinati, mandou vereadores embora, limpou a casa.
E vai ter que continuar fazendo isso. Em um país democrático, a limpeza não termina nunca.
O historiador Edward Gibbon ensinou isso – a corrupção é o sintoma mais infalível da liberdade constitucional.
Barbosa Neto perdeu o cargo porque colocou seguranças contratados pela prefeitura para cuidar da emissora de rádio da família.
Diz o meu amigo da esquina:
-Que maravilha essa Câmara Municipal que responde ao clamor das ruas e derruba o prefeito.
Não se iluda, amigo. Vereador é tudo a mesma coisa – com exceção daqueles que não são bem a mesma coisa. A diferença, em Londrina, é que eles sentem o eleitor mais próximo.
Há muitas entidades fazendo a mediação campo entre o povo e os vereadores. Associações, comitês, grupos de igrejas permanecem ativos.
Como tudo acontece agora, na véspera da eleição, não custa lembrar que o grande remédio constitucional contra a corrupção é o voto.
Curitiba usa mal seu voto. Se um instituto fizer hoje uma pesquisa sobre o voto passado, mostrará que poucos eleitores – uns 30% – lembram em quem votaram em 2008.
Mal fiscalizada, a Câmara de Curitiba virou redoma. Gaiola de ouro. Desaprendeu seu trabalho. Uma prova é o anúncio que está nas rádios (tem um dinheirinho nisso ou é de graça?) pedindo sugestões para projeto de lei.
O curitibano ainda vai aprender a reclamar. A investigar.
Um dia a gente deixa de ser bobo, para de invejar Londrina e a cidade vira a maior produtora de desconfiômetros do Brasil.
Coral de quem?

A discussão sobre o coral do HSBC é bizantina. Tempo perdido. Bate-boca sem sentido. Se os ensaios são muito longos é só encurtá-los. Ponto final.
O importante é lembrar que o coral não é do HSBC, é de Curitiba. Foi inventado no tempo do antigo Bamerindus.
Quando o banco foi transferido, havia inglês defendendo o fim do Natal do Bamerindus. Em nome do marketing – ensinavam – não se acende vela para defunto concorrente.
Mas o bom senso prevaleceu e o coral está ai. Para animar nosso dezembro.
Transparência? Que tal meia transparência?
A Folha de S. Paulo está publicando a listados Estados em que a lei do Acesso à Informação é plenamente cumprida.
O Paraná não está entre eles.
Aqui, Executivo, Legislativo e Judiciário publicam informações incompletas sobre os salários que pagam a seus funcionários.
Nossa transparência – faça o teste

Dar publicidade ao salário dos funcionários público…(assinale as alternativas certas)
1) Reduz os gastos do governo;
2) Faz os empregadinhos das empresas privadas morrerem de inveja;
3) Cria parâmetros para a remunerar os outros trabalhadores;
4)Fornece aos bandidos uma lista confiável (está no Diário Oficial) para futuros sequestros.
Resposta:
Todas as alternativas estão certas, menos a primeira.
A divulgação dos salários jamais reduzirá os gastos do governo com pessoal.
Salários são irredutíveis e só tendem a crescer.
Funcionários ganham aumentos acima da inflação quando o ano é eleitoral.
Quando não é ano de eleição, são promovidos por merecimento e por antiguidade; diagonalmente, verticalmente e horizontalmente; e acima de tudo aleatoriamente.
Assim, divulgar salários de funcionários públicos serve apenas como manobra diversionista.
Distrai a opinião pública.
Evita que o povo comece a perguntar quanto ganham os altos funcionários do sistema financeiro.
Eles ganham milhões, entre salários, bônus, prêmios de produtividade, gratificações, pagamento de despesas pessoais e familiares, passagens aéreas de primeira etcetera.
Tantos prêmios exacerbam a cupidez dos executivos.
Eles passam a aceitar títulos podres, emitir derivativos e colaterais, até o desastre.
Foi assim a bolha imobiliária dos EUA, em 2008, que gerou a depressão de 2009 até agora. Aquele derrame de títulos podres quebrou bancos, rebateu na Europa e retorna agora ao Brasil em sua segunda onda.
É o drama brasileiro. O Congresso tem uma bancada forte eleita pela Avenida Paulista. Ficou incapaz de votar uma lei da transparência para o setor privado.
Finge não saber que o setor não é tão privado quanto parece, já que os bancos vivem de pegar dinheiro a juro zero no exterior e emprestá-lo ao governo brasileiro a juros de 8,5% ao ano com risco zero de inadimplência.
Esse é um modo honesto de ganhar dinheiro. Há os métodos desonestos.
Deve-se ler os relatórios das liquidações extrajudiciais de bancos como o Panamericano, BMD ou Santos para descobrir que os diretores recebiam fortunas.
Administravam para arruinar o banco e eram premiados com milhões.
Faltava espaço na holerith para tanto zero.
A gente só ficou sabendo depois do estouro.
Não há lei da informação para as mutretas bancárias.
Antes do advento do moderno sistema financeiro, quem se apossava do alheio cometia crime e ia para a cadeia.
Hoje, os criminosos pegam o dinheiro e entram em liquidação extrajudicial (depois transformada em liquidação ordinária).
Ricos e bronzeados, desfrutam a vida em suas mansões, enquanto funcionários aposentados do Banco Central, diligentes liquidantes, cuidam de seus interesses.