
Mais em Pasmado. https://mail.uol.com.br/?xc=2c12dfeaed9a094e0ba47184ea0e6a2c#/webmail/0//INBOX/page:1/NDgxMzM
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São 17h32. A chuva não para. Sob a marquise da Rua 15, mais ou menos onde era a Singer, tento passar o tempo lembrando livros e filmes inspirados pela chuva.
19h. Agora a chuva amainou, Deixo a marquise da Singer (ou seria Casa Clark?) rumo à Marechal Floriano. Em frente à Caixa Econômica há um ponto do ônibus 265, Ahu/Los Angeles, que passa a cada hora e meia. Ônibus limpinho, mas podia melhorar a frequência, né?
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(*) – Mudou. Descubro que a PJ não funciona mais no Quai des Orfebvre desde 2017. Mudou para o 33 da Rue de Bastion, no 17º Distrito. Na Ile da la Citè ficou uma poderosa unidade da polícia anti-terrorismo.
(**) – No direito francês existe a utilíssima figura do juiz de instrução, que solicita diligências, ordena prisões, reclama da demora na investigação. Concluida a instrução, o processo é julgado pelo juiz da causa. No direito brasileiro juiz apenas julga.
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No tempo do Mateus Leme havia mil pinheiros para cada curitibano.
Agora há mil apartamentos para cada pinheiro.
E o pinhão foi para 17 o quilo.
Pense nisso.

É fácil defender Gonet. Basta comparar sua mentirinha sobre charutos e uísque 18 anos, com, por exemplo, as mentiras cruéis de Bolsonaro, que levaram centenas de milhares de brasileiros a não tomar vacina contra a Covid 19.
E morrer.
O que está na balança da Justiça, então, é isso – uma mentira monstruosa contra uma mentirinha para salvar a imagem?
Do pronto de vista prático, sim. São tantas as mentiras em circulação que uma pequena falta com a verdade é só uma sujeirinha de mosca na biografia.
Assim mesmo, complica o quadro geral.
A dissonância deliberada entre os fatos e as afirmações alimenta uma espécie de podridão que corrói os alicerces epistemológicos e éticos do nosso mundo e das nossas vidas. A frase é do historiador Robert Zaretzky.
Ele dialoga com Hannah Arendt, que escreveu: “A sinceridade nunca foi tida como virtude política, enquanto a mentira foi vista como algo justificável na negociação política”.
Ela também achava que há mentirinhas e mentiras monstruosas, desumanas.
Juscelino Kubischek teve dois enfartes e proibiu a divulgação deles. Um político enfartado é um animal ferido. Os adversários avançarão em alcateia para acabar com ele.
A biografia de Brizola, fantástico trabalho de investigação e análise de Karla Monteiro, revela pecados do líder (inclusive o affair com a filha de um companheiro de partido) que, se fossem parar nos jornais, certamente prejudicariam sua luta política. Foi preciso mentir. Aqui a mentira defendia interesses comuns.
Todos nós temos na vida
Um caso, uma loura
Você, você também tem.
(“Uma loira”, Hervê Cordovil, gravação de Dick Farney)
Uma coisa precisa ficar bem clara, gente: mentir não é para amadores. Exige competência. E memória. E senso da realidade.
Era razoável, inteligente, dizer que nunca teve intimidades com Vorcaro? Não se lembrava Gonet do encontro em Londres, ou achava que Londres é a capital de outra galáxia e ninguém nunca haveria de saber?
Na primeira hipótese, a falta de memória pode ser uma condenação à Casa de Repouso: “Fulano não se lembra do que comeu no almoço”.
A segunda, a má avaliação do risco, é menos grave. Em 2024, Vorcaro ainda não era um personagem muito radioativo. Além disso, “foi um encontro fortuito”.
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P.S. Ilustração da IA do Google
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A moça que supostamente prestou serviços sexuais ao Nunes Marques em uma cobertura de luxo na rua Leopoldo, Itaim, São Paulo, cobrou 10.
Não é pouco.(*)
Entretanto, deve-se considerar que, pela sua atividade peculiar, a moça necessita amplo guarda-roupa, sapatos finos, colares, brincos e outros adereços.
Logo irá a uma dessas lojas chiques e comprará algo.
A tradição da mercadoria vai gerar comissão para a vendedora, impostos para o governo, além de lucro para a casa comercial.
A vendedora somará essa comissão a outras que ganhou em setembro e irá ao atacarejo onde viu uma TV de 50’ por 3.
A dona da loja verificará o movimento do trimestre e concluirá que há recursos para chamar o decorador, o marceneiro e o eletricista. Deem um up no visual.
O decorador, o marceneiro e o eletricista irão ao bar discutir o novo visual da loja chic e tomar umas.
No Ministério da Fazenda, cujos computadores controlam tudo com olho de Grande Irmão, um economista exultará – oba! O quadro econômico não é nada mau. (**)
Recentemente, O Office for National Statistics (ONS) passou a contabilizar o mercado do sexo nas suas contas oficiais da Inglaterra. Estudos publicados até agora estimaram que a indústria do sexo somava cerca de 4,3 a 5,3 bilhões de libras por ano à economia britânica, o que representava um aumento de aproximadamente 0,4% a 0,5% do PIB nacional.
Outros países desenvolvidos fazem o mesmo.
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Resumo: o PIB subiu, o Nunes supostamente se divertiu, a vendedora tem uma nova TV, a loja de luxo ficou mais bonita, o decorador, o marceneiro e o eletricista ganharam o mês – como é que tem gente falando mal do STF?
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(*) – O nome dessa figura de pensamento é litotes – chamar alguma coisa pelo seu contrário.
(**) – Outro litotes.
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P.S. – Ilustração gerada pela IA do Google

…e eu estou com uma baita inveja de não ter tido essa ideia.
Mais em Pasmado <pasmado@substack.com>
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A história da Festa das Suiças é um dos melhores textos que já li. Como jornalismo é perfeito. Como literatura, melhor ainda.
Está em https://piaui.uol.com.br/web/festa-suicas-vorcaro-fabio-faria/

A manchete do Atletiba não deve falar em “empate heroico”, nem em “guerra de torcidas”. Deve dizer: Milagre no Alto da Gloria: Chuva de raios não faz vitimas
O sistema Simepar registrou ontem a quantidade impressionante de 35 mil descargas elétricas durante o período. Em Curitiba foram anotadas oficialmente 58 quedas de raio nuvem-solo.
Se uma descarga elétrica caisse sobre um jogador ou sobre um dos mais de 30 mil torcedores presentes no Couto Pereira quem responderia penalmente pelo crime de colocar em risco a vida de milhares de pessoas? Wagner Magalhães, um administrador de empresas de 47 anos, que apita desde os 21 e está perto da aposentadoria.
É muita responsabilidade para um homem só.
Magalhães demorou oito minutos para iniciar o jogo. Depois, decidiu que as condições meteorológicas eram boas – os raios continuavam caindo na região – e que o gramado apresentava condições de jogo.
Contrariou pedido formal feito pelas diretorias do Coritiba e do Atlético e pelos técnicos das duas equipes. Odair Hellmann: “É uma irresponsabilidade”. Fernando Seabra: “Antes de a bola rolar, eu e o Odair falamos com o árbitro. O gramado estava perigoso e os raios representavam um risco real à vida de todos ali. Sugerimos adiar para a Data FIFA. A arbitragem preferiu arriscar”.
Durante a semana, a CBF informou que a data e horário eram uma decisão da entidade em acordo com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão.
Parece que Wagner Magalhaes goza da confiança da CBF e é escalado para grandes jogos. Não importa que tenha acumulado ao longo da carreira algumas decisões contestadas por grandes clubes.
Alguém da CBF disse a ele para iniciar o jogo. A Globo precisava das imagens. Apesar dos raios? Apesar dos raios.
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Ilustração gerada pela IA do Google
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Lendo algumas pesquisas que estão nos jornais, nos sites e nas rádios, lembro uma observação de Chistopher Hitchens.
Q uando descobriram que o presidente Ronald Reagan tinha câncer de cólon, um grande jornal decidiu fazer uma enquete entre seus leitores. Eles foram solenemente indagados se, na opinião deles, o câncer seria a) curado; b) teria uma recidiva: c) entraria em remissão.
Vamos combinar, gente: nem os entusiastas da ultrademocracia defenderiam a ideia de que existe algum interesse público no estado das coisas no traseiro presidencial.
Mas esse, na opinião do dono do jornal, era o dever da imprensa. Oferecer a algumas pessoas a democrática ilusão ou o simulacro de terem sido consultadas.
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