“A educação não é cara; cara mesmo é a ignorância”. Leonel Brizola

O velho Brizola voltou a moda com o livro de Karla Monteiro intitulado “Brizola, o Lobisomem contra o Império”. Lembramos que ele e Darci Ribeiro fizeram o possível para melhorar a educação no Rio de Janeiro e reduzir o ambiente de ignorância e radicalismo no Brasil.
Não tiveram êxito, caso contrário não estaríamos hoje perdendo tempo com a novela do blogueiro do Maranhão. Colocar a questão de sigilo da fonte em termos tão primários é pior do que desacreditar da vacina.
A gente pode melhorar esse quadro reconhecendo que nas democracias ele é defendido com unhas e dentes. Nenhuma prescinde do sigilo da fonte para garantir o jornalismo de qualidade.
Mas em nenhum país civilizado ele é absoluto.
Uma comparação: na área do Direito, as democracias protegem o sigilo das relações advogado-cliente. O advogado não pode ser obrigado por juízes, delegados ou comissões parlamentares a testemunhar sobre fatos que conheceu no exercício da profissão. Entretanto, o sigilo deixa de prevalecer quando um tribunal determina que a revelação é indispensável para proteger um interesse público superior, como em casos de terrorismo.
Também não é absoluta a proteção das conversas advogado-cliente.
Se o advogado vira pombo correio entre o acusado e a organização criminosa, cai a proteção. Da mesma forma, se oferece aconselhamento sobre como planejar, ocultar ou cometer um crime futuro, como lavagem de dinheiro, tchau proteção.
Voltando ao início da conversa, a confusão começa por ignorar que muitos jornalistas são blogueiros, mas que nem todo blogueiro é jornalista.
A fronteira entre o blogueirismo e o jornalismo anda meio borrada, mas o que ministros do STF disseram recentemente é verdade: se qualquer pessoa com um celular for considerada “jornalista”, as prerrogativas da profissão (como o sigilo da fonte) podem virar blindagem para proteger redes de calúnia, extorsão ou desinformação.
Aí vem a questão: quem é jornalista?
Em países com jornalismo de alta qualidade como a Inglaterra (The Times, Guardian, Telegraph etc) jornalista é alguém com o diploma do NCTJ, o National Council for the Training of Journalists.
Na Alemanha, as redações dos grandes jornais e portais pedem ao candidato o certificado de Voluntariat – estágio em redações passando pelas várias editorias. Dura até dois anos mais ou menos como uma residência médica.
Na França também não se exige diploma. Mas um jornalista consegue emprego mais facilmente se apresentar certificado emitido por uma das 14 escolas de jornalismo reconhecidas pelos sindicatos e pelas empresas empregadoras.
E, em toda parte é valorizado um diploma adicional – de filosofia, ciências sociais, história ou literatura.
Enfim, jornalista é tudo menos um ignorante. Provavelmente, um cara bem alfabetizado que atua como contra-poder, que cobra transparência ao governo, denuncia corrupção e consegue apresentar o fato ao público sem preconceito; que ouve todas as partes e explica o contexto em que o fato ocorre. Tudo isso com estilo e um certo bom humor.
O resto é blogueiro.
P.S. – Ilustração IA do Google
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